quarta-feira, 9 de junho de 2010

Estradas do Sul

Giulia Gomes

A minha viagem começa em Niterói, onde uma certa menina de férias resolveu ir para longe! Bem longe!
Fui visitar um amigo que não via há muito, muito tempo! O Pedro! Um carioca muito gaúcho! Fui parar em Porto Alegre, no Sul do Brasil. Apenas 2 horas de avião e lá estava eu, muuuuito longe de casa!
Porto Alegre é uma linda cidade! Depois dos passeios tipicamente turísticos resolvemos colocar o pé na estrada. Eu e o Pedro, um carro, muito frio, alguns planejamentos, muitas incertezas, pouca grana. Decidimos, apesar do mal tempo, subir a serra e visitar os Cânions do Itaimbezinho.
Levei tão pouca roupa que quando chegamos na pousada já tinha molhado todas as minhas meias! Acostumada com o calor do Rio, confesso que subestimei o frio gaúcho. Saímos de Porto Alegre umas 10 horas, no meio do caminho visitamos um templo budista que fica em Três Coroas. Paz absoluta, imagens pitorescas e curiosas, alguns lugares restritos para visitantes, bandeirinhas de orações tremulando com o vento e espalhando boas energias.
Foi com esse clima zen que seguimos viagem, sem pressa, curtindo o silêncio e o cheiro de terra molhada. A essa altura eu já não sentia mais nada do meu corpo, o frio começava o processo necrótico. Chegamos à uma fazenda/pousada em Cambará do Sul, no meio dos pampas, bem ao entardecer. Bem a tempo de ver tudo a nossa volta ser tomado pelo breu absoluto. Comemos o banquete típico da fazenda como crianças famintas e dormimos com todos os panos e cobertores que haviam ao nosso alcance por cima da gente, além de todas as roupas que eu tinha levado, até as toalhas, que, nesse lugar frio não serviriam para mais nada.
Acordamos cedo e comemos mais uma banquete com comidas feitas na fazenda, pão de queijo, polvilho, leite, bolinho de chuva. Com direito até a farofa no café da manhã! Até agora a gente se pergunta o porquê. Chegamos à reserva florestal, onde fomos avisados de que não veríamos nada por causa da neblina. Subimos mesmo assim. Uma hora de trilha, que, mesmo lentamente, não pareceu uma hora mesmo! Foi aí que vimos o Caldeirão! A neblina muito grossa subia pelas fendas das montanhas. Achamos mesmo que não veríamos nada. Foi então que para nossa surpresa o vento dispersou a névoa e pudemos ver lá embaixo o Rio do Boi.
Na hora de voltar decidimos descer a serra pelo outro lado. No caminho, o sol apareceu e o frio deu uma amenizada que nos animou para um mergulho de cachoeira. 'Magia da Águas"! O lugar deve ficar cheio de turistas o ano todo, mas naquele momento estava vazio! Paraíso! Seguimos caminho serra abaixo em direção a Praia de Torres, divisa do Rio Grande do Sul com Santa Catarina e, também, nosso último destino. O tempo mais uma vez não ajudou muito, mas deu para ver que a praia é linda! Voltamos para casa descansados, com muitas fotos e cheios de histórias para contar!